domingo, 25 de abril de 2010

Choveu e a casa está cheia
E pra formar um mar só falta areia

A dona da casa olha a água escorrendo
Pela casa e nos seus olhos, nos cantos
Neste choro até sente-se podendo
Jurar vir toda a água de seus prantos

Fazendo-se de forte para a amada
O marido por dentro está morrendo
Mas pensa: Como posso não ter nada
E tudo o que possuo estar perdendo?

Choveu e a casa está cheia
E pra formar um mar só falta areia

Existe neste mundo algum culpado
Por toda esta desgraça desta gente?
É chuva, é fome, é sede, em todo lado
E a revolta esvaindo na aguardente

E a aguardia os olhos do casal
Desiludido disse o homem fraco:
Se é pra continuar sofrendo tal
Melhor morrermos juntos no barraco

Choveu e a casa está lama
E pra formar velório falta grana

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P.S.: A poesia foi escrita antes das tragédias que ocorreram no Rio/Niterói, mas não foi nenhuma previdência!

2 comentários:

Matéria Escura disse...

na água q corre vai-se história
na lama memória

belo poema meu caro.
abraço.

ryan(aquele maluco lá da uff rsrs)

Kézia disse...

Esse é sem dúvidas um dos melhores! Parece que o fantástico nunca tem o poder de impactar mais que a realidade. No seu caso, você faz do fantástico mais impactante aos sentidos, do que a realidade não conseguiu impactar! Parabéns meu caro, por talvez curar a inércia de seus leitores!